Flutuação do Dólar – histórico, efeitos práticos e importância internacional

Antes de iniciar a discussão a respeito da flutuação da moeda norte americana faz-se necessário entender por que essa moeda configura hoje um padrão para o comércio internacional. A história remonta ao conceito de lastro. Lastro é um termo econômico relacionando-se a garantia que o dinheiro tem. Até a década de 70 o dinheiro estava na forma de moeda-papel com lastro no ouro, ou seja, as notas de papel representavam certa quantia em ouro, que poderia ou não ser convertida nesse metal posteriormente. Após a década de setenta, o dinheiro passou a circular na forma de papel-moeda e seu lastro (ou garantia) passou a basear-se em outras moedas e certificados bancários de depósito, surge a era do dinheiro fiduciário e do dinheiro bancário. Nessa época a hegemonia econômica dos Estados Unidos da América já era fato e a partir daí os países buscaram acumular a moeda norte americana nos tesouros nacionais a fim de garantir a estabilidade de suas economias e a liquidez de suas relações comerciais. E nesse ponto surge a importância de outro conceito econômico: as divisas. Quando um país acumula moeda estrangeira em seu tesouro nacional, ele acumula divisas, que são reservas substanciais de moeda que permitem regular a política cambial de um país. Com esse acúmulo é possível equilibrar a economia bem como gerar políticas de incentivo a exportação. Com a importância do dólar tanto para a prática do lastro quanto para a de divisas, é necessário atentar-se sempre ao fator dólar a serem planejadas relações de comércio internacional.

Compreendendo a importância do dólar no cenário global, faz-se necessário agora levantar as causas da valorização e desvalorização no contexto atual, para que se possa compreender mais adiante as suas consequências nas economias domésticas e internacionais.

Como é conhecido por todos, a economia mundial sofreu e ainda sofre com a crise financeira que estourou nos Estados Unidos em 2008. Essa crise não abalou em grande escala países como o próprio Brasil, mas por outro lado deixou, principalmente, a balança comercial de outros países como Portugal, Espanha e Grécia desestabilizada, causando altos níveis de desemprego, aumento da dívida externa, desvalorização da moeda, queda na exportação, entre outros, deliberando uma forte crise na zona do euro.

Com toda crise ocorrendo na Europa, o dólar valoriza-se devido à aversão ao risco, por parte dos investidores, nessas economias em crise, ou seja, há uma grande procura nesse momento pelo dólar, principalmente por países em desenvolvimento, causando assim a desvalorização das outras moedas e valorização do dólar americano. Porém o contrário também pode ocorrer, como exemplo, temos os anos de instabilidade financeira dos EUA, concentrados em 2008 e 2009.

Na prática, a variação do dólar tem influência direta nas importações e exportações, sendo a peça central das transações entre o Brasil e outros países. Dessa forma, quando o dólar está em alta em relação ao real, crescem as exportações, pois o lucro adquirido com a venda de produtos nacionais no mercado externo acaba sendo maior, e diminuem as importações, pois fica mais caro comprar produtos de outros países. Ao contrário, quando o valor do dólar diminui, as importações aumentam, pois fica mais barato comprar produtos de fora, e as exportações diminuem, pois os produtos lançados no mercado externo passam a valer menos (em dólar).

Apesar de a queda do dólar parecer favorável para quem importa, a economia nacional acaba perdendo com isso, pois a indústria interna perde a preferência dos consumidores, o que pode levar à falência de empresas, aumentando nossa dependência do mercado externo. Já para os exportadores, como a diminuição do valor do dólar faz com que eles recebam menos, em reais, pelos produtos vendidos no mercado externo, o lucro é menor, gerando cortes de gastos na empresa para compensar o prejuízo, o que muitas vezes causa desemprego.

Quando a variação é muito significativa a ponto de colocar a economia em risco, o Banco Central entra em ação e, por meio da compra ou venda de dólares, faz com que diminua ou aumente a quantidade dessa moeda em circulação, equilibrando seu valor.

Enfim, com todos os conceitos aqui apresentados, torna-se possível a compreensão de como o dólar influencia uma economia, e até mesmo nossa própria vida econômica, tornando-se fator essencial para uma análise completa de relações comerciais presentes ou futuras.

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